Sentiu que havia tirado a sorte grande. Rita ligou para ele sábado à tarde e deu o seu endereço.

– Venha aqui… Vamos fazer uma festinha? Traz cerveja…

César anotou o endereço e tratou de se arrumar. Tomou banho, passou perfume, vestiu uma roupa decente e chamou um táxi.

– Vamos ao Conjunto Guaporé!

O táxi seguiu. César pediu ao taxista que parasse diante de uma merceria. Comprou doze latinhas geladas de Crystal. Entrou na Estrada dos Japoneses, atento às casas, lembrando do número e da descrição. Encontrou a casa.

Vibrou ao ver Rita em frente da casa, diante do portão fechado. Ela o esperava, acompanhada pela prima Telma.

Pagou o taxista, desceu do carro desajeitadamente, transportando a cerveja. Rita o beijou no rosto, enquanto Telma o ajudava com as latas.

– Que bom que você veio… Entra!

Rita abriu o portão e Telma entrou. A imaginação de César fervia: seria uma tarde diferente. Tudo iria rolar. Afinal, Rita e Telma eram garotas de vida muito livre e agitada.

César seguiu as duas e entrou por um corredor lateral, que os levaria até o quintal. Lá chegando, a surpresa: havia outros convidados. Três rapazes e uma garota, aparentemente muito jovem. Rita apresentou-o aos outros, mas César não pôde esconder que havia murchado.

Um dos rapazes se aproximou e, amistosamente, foi se apresentando:

– Durval! Fique à vontade, viu? Aqui é tudo amigo. Quer um pedaço de carne?

Havia uma churrasqueira.

– Aquele ali é o Derlan e o outro é o Patrício. A garota ali é… como é seu nome?

– Joana… Prazer! – e estendeu a mão a César.

Rita se aproximou de César e disse que ele ficasse à vontade. Depois foi se abraçar Pátricio, para dançar um forró eletrônico. As latas de cerveja já pulavam de mão em mão. Para sentar havia uma banco de madeira e um botijão de gás com uma tábua em cima. César sentou sobre o botijão. Telma deu a ele um prato com carne assada e arroz branco.

Telma começou a dançar sozinha. Durval a agarrou por trás, como se simulando uma transa. Joana e Derlan conversavam sobre alguma coisa. César mastigava a dura carne e o arroz insosso. A música mudou e Rita se aproximou dele:

– Quer mais? Tá gostoso?

– Não quero, não. Eu fiz umlanche antes de você me ligar…

– Que bom que você veio.

– Obrigado.

– Você é um cara legal.

– Obrigado. Eu também gosto de você…

– Os meninos são meus amigos. Só amigos.

– Ah, bom… Mas não precisava me dizer isso! A vida é sua… e eu sou apenas um amigo!

– Um bom amigo. Um cara legal. Gente boa! – Rita já estava meio embriagada. No canto do muro, havia várias garrafas de cerveja.

César não sabia se aquilo era sincero. Baixou os olhos, mordeu mais naco da carne.

– Você é uma boa pessoa, César! E eu sou uma piranha…

– Que é isso? Não é porque você…

– Eu gosto daquilo! Gosto mesmo! Esses aí, ó! Já me…

– Não precisa falar de sua vida. Eu não julgo você.  Não mesmo. Eu gosto de você como pessoa. Entendeu?

Rita deu um sorriso. Parecia confusa. Telma veio e a puxou pela mão: as duas se agarraram e começaram a dançar. Os outros ficaram olhando. Durval se aproximou:
– Quer uma cerveja?

– Não. Agora não.

Rita e Telma dançavam sensualmente. As mãos em viagem. Ousadas. César observava aquilo com algum espanto. As duas se beijaram. Profundamente.

Joana se aproximou das duas e levantou a saia de Telma. A sua mão foi lá.

Durval, Patrício e Derlan olhavam impassíveis tudo aquilo.

As mãos de Joana começaram a baixar a calcinha de Telma e os três homens começaram a rir. Telma reagiu e se vestiu rapidamente:

– Seus safados!

E Derlan:

– Quase deu certo!

Todos riram, inclusive César. Logo estavam todos dançando e falando tolices. Sentado sobre o botijão de gás, César continuou a observar o movimento. De repente, Joana se afastou e entrou na casa. Antes, porém, olhou para César.

– Onde fica o banheiro? – César perguntou a Telma.

– É no meu quarto. Você entra lá e vê a porta.

Ele se levantou e sentiu alguma tontura, pois havia tomado duas latas de cerveja. Entrou na casa, passou pela cozinha e entrou no quarto. Viu a porta do banheiro. Abriu. E se surpreendeu ao ver Joana sentada no vaso.

– Ai, desculpe! – César saiu apressado.

– Sem problema. – A voz de Joana era bonita, César pensou.

Ficou no meio do quarto em pé, aguardando Joana terminar o serviço. Ela saiu e sorriu. Ele entrou no banheiro apressado, baixou a calça e urinou. Teve uma surpresa ao ver que, à porta, Joana o observava. Ele se sentiu invadido, mas, de repente, relaxou, fingindo ser aquilo natural. Mijar: uma circunstância da vida.

– O que foi? – Perguntou.

– Nada. Você tem cinquenta reais pra me arrumar?

Deconcertado, César disse quase que imediatamente que tinha. E foi vestindo a calça e puxando e abrindo a carteira e sacando uma nota de cinquenta e dando a Joana. Ela pegou a nota e enfiou no bolso da calça. Segurou na mão de César e o puxou para fora do banheiro. Então o conduziu até a cama.

– Tem uma camisinha?

– Sim. – Disse trêmulo o rapaz, que abriu a carteira e tirou um jontex.

Joana beijou o rosto de César e disse para ele tirar a roupa. Ele não se fez de rogado. Ela fez o mesmo. Um corpo belo e quase sem pêlos surdiu diante dos olhos abismados de César.

Joana colocou a camisinha no pênis de César, que, preocupado, perguntou:

– E se entrar alguém?

– Vai ver uma foda…

A boca da jovem agasalhou a sua glande. César fechou os olhos. Era intenso demais o momento. Após uns minutos, Joana subiu sobre o seu corpo e se encaixou. Subiu e desceu com vigor.

Prestes a gozar, César se assustou. Derlan e Telma entraram no quarto.

– A putaria aqui tá boa, hein? – Derlan falou rindo.

– Porra, Joana! Por que você não me chamou? Agora que está aí, continua!

E os dois viram a cara que César fez quando gozou.

– Já? – Perguntou Joana.

– Já. – Respondeu César, arfante.

Joana se levantou, tirou a camisinha do pênis de César, catou as suas roupas e, indo ao banheiro, comentou, olhando para Joana e Derlan:

– Vocês são uns tremendos empata-foda!

César ficou ali estirado, um tanto envergonhado.

– Você não perde tempo, hein? Cabra bom! – Derlan foi imensamente simpático nesse momento. E olhando para Telma: – Que tal? Vamos?

Antes que o casal caísse sobre ele, César juntou a sua roupa e foi até o banheiro, que estava trancado dessa vez. Não queria, mas olhou Derlan e Telma se despido e se agarrando. Joana saiu do banheiro. Vestida.

– Tudo bem? – Perguntou tentando ser solícito.

– Tudo. Por que não? – E passou pelo casal, não sem antes passar a mão na bunda de Derlan.

César entrou no banheiro e sentiu que estava só. Profundamente só. Decidiu tomar um banho. Lavou-se. Vestiu as roupas. Saiu.

Viu Derlan e Telma se comendo na cama. E comentou:

– Você também é feroz, cara!

Saiu pela porta da frente. Pegou o celular, chamou um táxi. Em dez minutos, o carro apareceu. Abriu o portão, saiu, entrou no carro. A tarde começava a virar noite. O som de uma canção brega incomodava os seus ouvidos.

No caminho de casa, o celular tocou. Era Rita.

– Por que você foi embora assim? Aconteceu alguma coisa? Alguém te destratou?

– Não, Rita. Longe disso! Todos aí são bons. Mas é que eu não estou bem… Acho que é febre, sei lá… e eu não quis incomodar vocês, atrapalhar a festinha…

– Tudo bem. Mas me diga: você vai me ajudar a comprar a geladeira, como te pedi anteontem?

– Claro que sim, Rita. Claro que sim…