Em sua aula no quarto tempo, explicou aos alunos que tudo na história estava baseado no combate entre oprimidos e opressores. E que todas as vezes que a classe oprimida tentava reagir era sumariamente esmagada. Disse que as religiões existiam para manter o status quo. Elas semeiam o conformismo. Por isso, Marx dizia que elas eram o ópio do povo.

Mais tarde, foi para uma reunião na ONG. Discutiu como poderiam os seus companheiros apoiar a próxima ação do movimento dos sem-terra. Ligou para o vereador Zé Silveira, pedindo um apoio e ouviu satisfeito que um núcleo de universitários se dispôs a ajudar em uma panfletagem contra o latifúndio.

Eram oito da noite e o dia havia sido muito proveitoso. Resolveu dar uma relaxada.

Pegou o carro e foi até a Rua Carlos Gomes. Já havia movimento. Aproximou-se de duas jovens, que estavam encostadas na parede de uma oficina de consertos. Baixou o vidro do carro.

– Oi, meninas! Ocupadas?

– Não. Estamos aí… – falou uma delas, morena, vestida de short azul.

– Quanto é?

– Quarenta. Completo, sessenta.

– Completo?

– Sim. Com anal.

– E você?

A outra garota se aproximou.

– Quarenta também.

– E completo?

– Não faço completo não.

– Não faz? Tudo bem.

– Se o o senhor quiser, tem o Castelinho aqui perto… – a de short azul parecia mais interessada.

– E se eu quiser lá em casa? Eu moro sozinho…

– É arriscado…

– E se eu chamar as duas? Pago setenta para cada uma.

As duas se afastaram um pouco. Discutiram algo. Pareceu concordarem entre si.

– O senhor traz a gente de volta pra cá?

– Claro. Se quiser, eu até dou dinheiro a mais. Para o táxi.

– Então tudo bem…

As duas entraram no carro. A de short azul no banco da frente. Ela logo se apresentou: Maíra. A de trás, Simone. Ele pensou que Simone e Maíra deveriam ter outros nomes. Não se importou com isso. Veloz, seguiu rumo à sua casa.

Abriu a garagem e a porta da casa. As garotas o seguiram, deslumbradas. A casa era grande e tinha uma bela cerâmica. Olharam a TV de 29 polegadas. E o som. Parecia ser um cara bem de vida.

– Querem tomar alguma coisa? Podem abrir a geladeira, viu? Enquanto isso, vou tomar um banho.

E foi. Parecia confiar nas garotas.

Elas ficaram olhando cada minúcia da casa. Aquilo é que era casa, repetiam como um mantra. Entraram no quarto. O homem tinha uma cama-box de casal e Simone não se fez de rogada: se jogou em cima. Fechou os olhos, sonhadora. Maíra continuou a sua jornada. Observou tudo, tocou tudo, tudo era muito diferente de seu mundo. O homem saiu do banheiro, enrolado em uma toalha pequena.

Viu Simone deitada e Maíra pesquisando. Sentiu uma ponta de dó na alma. Tão jovens e tão vítimas de um sistema opressor, pensou. Se pudesse, daria a elas uma vida digna. Sentou-se na cama. Simone abriu os olhos e meio que se assustou ao vê-lo: havia deitado sem autorização. Quis sair da cama…

– Não se levante! Fique à vontade!

E dizendo isso começou a apalpar uma das pernas da garota. E subindo, tocou de leve em sua vagina, e apalpou os seios pequenos.

– Que idade você tem?

– Dezenove.

– Dezenove? Fala a verdade. – Seu tom foi carinhoso, como se dissesse “não precisa mentir para mim”.

– Ela tem quatorze anos. – Maíra falou do outro lado do quarto. – Eu tenho dezessete. Tem algum problema?

– Longe disso. Vocês são livres. Eu não questiono.

Ao dizer isso, Lenin, era esse o seu apelido, tirou a toalha. Com o pênis em riste, abraçou Simone e a beijou. Maíra se aproximou e começou a apalpá-lo, até chegar em seu pênis.

– É grande! É muito grande! Será que eu vou agüentar?

Lenin delirou internamente. Sentia-se másculo, omais potente dos homens. Em poucos minutos, estava penetrando Maíra, que parecia mais firme em sua função. Simone apenas o apalpava e, às vezes, dava alguma lambida em seu falo.

Em pouco tempo, Lenin rolou para o lado da cama. Estava satisfeito.

 Maíra se levantou e foi ao banheiro. Logo voltou:

– O senhor me deixa usar a banheira? – depois da transa, ela parecia muito solta.

– Pode sim. Como eu já disse: fique à vontade!

– Vem, Dalva!

– Depois. Vou ficar aqui na cama…

Maíra foi para o banheiro e logo o som da água enchendo a banheira invadiu a casa.

– Dalva? Não é Simone? – Lenin já sabia que Simone era um nome de guerra.

– Sabe como é, né? Simone soa melhor. Dalva parece nome de velha.

– Eu tenho uma tia chamada Dalva…

– Não quis ofender. É que…

– A água tá uma delícia! – o grito de Maíra cortou o diálogo.

– Depois eu vou aí… – a resposta de Simone agradou Lenin.

Ambos silenciaram. Lenin não quis avançar no assunto. Simone não queria se desvendar. Para Lenin, a história das pessoas não tinha importância. Para Simone, sua história não tinha importância.

Lenin sentiu o desejo voltar.

– Você não faz anal? – perguntou bruscamente.

– Fazer eu faço. Mas não gosto.

– Faria comigo, se eu te desse um a mais?

– Quanto?

– Vinte.

Simone pareceu meditar a respeito. Não era atirada. Pensava duas vezes antes de agir.

– Vinte? Que tal trinta?

– Fechado.

– Quer agora?

– Deixa eu tomar banho primeiro.

Lenin se levantou. Foi até o banheiro. Maíra parecia um nababo na banheira.

– Gostando da banheira, moça?

– Demais…

Voltou para o quarto e encontrou Simone deitada de bruços na cama. Parecia um banquete à mesa.

– Pode vir. Mas devagar, tá?

– Me ajude primeiro.

Simone colocou uma camisinha no pênis de Lenin e o chupou. “Não é muuito grande”, pensou. “É pequeno!”…

A penetração não foi difícil. O pênis de Lenin escorregou para dentro de Simone, como se já conhecesse o caminho. Foi e veio. Foi e veio. Foi e veio.

Gozou.

Mais tarde, no caminho de volta para a Carlos Gomes, Lenin elogiou as duas e pediu o número de celular das duas. Depois, elas comentaram entre si o quanto aquele homem era bacana. Mas tinha o pau pequeno…

Ao chegar em casa, Lenin foi para o quarto. Acendeu um cigarrinho e deixou que os efeitos da marijuana o relaxassem. O próximo dia seria muito bom…