Sentia-se um deus inútil dentro daquele quarto. A mulher nua ao seu lado esperava o toque de suas mãos e ele se lembrava do rosto de Eulália, que nunca o quis. Tinha dinheiro, tinha carro, tinha posses. Mas não tinha Eulália. Só Priscilla, a gatinha safadinha.

A gatinha safadinha não era feia. Mas não era a maravilha que parecia no anúncio do jornal. Teria um segundo de prazer. Valia a pena? Um segundo e cem reais a menos na conta.

Profissional que era Priscilla pegou o seu pênis. Pedro sentiu algum prazer, fechou os olhos. Sentiu o pinto sendo agasalhado por uma camisinha. Abriu os olhos e viu a boca de Priscilla subindo e descendo. Subindo e descendo. E engolindo tudo.

Sentiu a glande no fundo da garganta da gatinha safadinha.

Mas havia Eulália.

E havia a imaginação.

Fechou os olhos: a gatinha safadinha não era Priscilla – era Eulália.

Pensou no cheiro de Eulália.

Nas mãos de Eulália.

Na boca de Eulália.

Na bunda de Eulália.

Na buceta de Eulália.

Como seria a buceta de Eulália?

Tinha a de Priscilla. Era depilada, tufadinha. Capô de fusca.

Passou a mão.

E sentiu a maciez. Introduziu um dedo.

Ouviu o gemido de Priscilla, a gatinha safadinha, e pensou em como seria o gemido de Eulália, caso ele introduzisse seu dedo médio entre os grandes lábios de Eulália.

Ah, Eulália… o que você está fazendo agora?


Eulália entrou na sala do médico. Dr. Gustavo não esboçou nenhuma reação. Olhava os exames.

    – É mal, doutor?

    – Você tem algum plano funerário, Eulália?


Deitado na cama, Pedro viu quando a gatinha safadinha Priscilla começou a subir e descer, a cavalgar. Quis segurar… não foi possível!

    – Já. Eu já terminei.

    – Já? – Priscilla fingiu decepção. No fundo, sentia era alívio.

Que homem frio era aquele! Seria um gay enrustido?

Não se importou. Arrancou a camisinha do pinto murcho do homem e disse que queria mais, de acordo com o regulamento. Pedro pediu desculpas. Queria ir embora. Deu os cem reais à menina. E deu mais uma nota de vinte. Para o táxi.

Saiu do Concorde rapidamente. Precisava beber. E ficar calado.


Eulália caminhou pelo centro por longos minutos. Não sabia se chorava, se praguejava, se se jogava na frente do primeiro caminhão que passasse.

Um menino magro e cinzento pediu a ela uma moeda. Abriu a bolsa. Viu uma nota de dez reais. Para que dez reais na bolsa se amanhã…

Deu a nota ao menino, que alegre agradeceu e correu em direção a uma boca-de-fumo. Duas parangas!


Priscilla chegou no apartamento e ligou o celular. Após alguns minutos, o toque.

    – Oi, amor! A bateria estava descarregada… Comecei a recarregar agora… Sair hoje? Não vai dar, amor! Tenho um trabalho de sociologia pra fazer… Sábado? Ótimo! No Yes? Claro. Serei todinha sua, amor! Toda mesmo!


Dr. Gustavo ligou para Selmo.

    – Que tal hoje à noite? Minha mulher vai para um culto na igreja que ela freqüenta. E até dez horas, você pode ser todo meu…