Uma geladeira nova vale qualquer sacrificio!

Uma geladeira nova vale qualquer sacrifício!

 

Era a sétima vez nos últimos dois meses que ele ligava. Parece que havia gostado do serviço.

Era um homem gentil esse Felipe. Era sempre muito respeitoso e gentil. Emília pensava nisso enquanto se transformava em Sandy. Já havia ligado para Lucina, que logo chegaria para tomar conta do Dieguinho.

Estava pronta quando Lucina chegou.

    – Vou demorar pouco… Esse cliente é muito rápido.

    – Tudo bem, Emília… Mas, se for demorar, não se preocupe. Meu batente começa às dez. E eu adoro cuidar do Dieguinho…

Mais tranqüila, Emília deixou o apartamento e foi esperar Rondinelli, o mototaxista.

Enquanto esperava, recebeu outra ligação de Felipe. Motel Blue Star.

Rondinelli não demorou. Seguiram em direção ao motel indicado por Felipe.

Sandy desceu na garagem do apartamento. Avisou o mototaxista que, terminado o serviço, ligaria.

Bateu à porta e Felipe abriu. Estava enrolado em uma toalha. E sorriu ao ver Sandy.

    – Deu saudade, Felipe?

    – Muita. Muita saudade.

Ela o abraçou. E, por conta da intimidade, se permitiu beijar o rosto do rapaz. Ele tentou retribuir, mas Sandy se desviou – um tanto sem perceber – e se voltou para o quarto. Era limpo e claro. Gostou do que viu.

Felipe disse que ela, se quisesse, podia tomar o que quisesse. E ofereceu a ela uma lata de cerveja.

Enquanto bebia, Sandy tirou a blusa e a minissaia que vestia. De calcinha fio-dental, se jogou na cama, sob o olhar blasé de Felipe.

    – Vem cá…

    – Agora não. Quero mais a tua companhia. Pode ser? Se demorar, pago a diferença…

    – Se você quer assim?

Felipe chamou Sandy para a banheira. Ela entrou nua na água morna, lata de cerveja à mão. Deitou-se e relaxou.

    – Gosto de sua companhia. Você, além de bonita, é agradável…

    – Obrigada. Você também é uma pessoa que eu gosto de encontrar…

Por baixo d’água, Sandy segurou o pênis de Felipe e começou a massageá-lo.

Felipe não ficava excitado. Sandy desistiu.

Tomou o resto da cerveja de uma golada só.

    – Não pense que estou com problema de…

    – Quem sou eu pra te julgar, Felipe? Você faz a hora…

    – Se eu não quisesse, eu não te chamava…

    – Eu sei, eu sei…

    – É que…

    – Você quer algo diferente?

    – Eu sei que você não faz… mas não é isso que eu quero.

    – Fala então.

    – Você não vai querer, eu sei.

    – Como é que eu não vou querer algo que não sei o que é?

    – Quer mais cerveja? Ou refrigerante?

Sem que Sandy respondesse, Felipe se levantou e foi até a geladeira. Pegou uma garrafa de suco e ofereceu a ela. Entrou na banheira e começou a falar do trabalho. Sem entender a brusca mudança de assunto, Sandy decidiu escutar o que Felipe dizia.

Enquanto ele falava, Sandy se lembrou da prestação da geladeira. Estava atrasada e o pessoal da loja já havia ligado cobrando. Os programas estavam rareando. Muitos clientes só ligavam uma vez. Após o nascimento de Diego, ela engordou e não conseguia mais voltar ao que era antes. E não havia mais dinheiro sobrando: o filho era “caro” e, portanto, a academia de ginástica ficou em um segundo plano. Fechava a boca para ver se emagrecia naturalmente. Não estava dando certo. O que a mantinha eram os clientes novos e a fidelidade de Felipe.

Ficou alguns dias em uma casa de tolerância, mas o horário era cruel. E o preço era baixo. Diego estava no centro de todos os seus problemas. Mas era a bênção de sua vida. Felipe falava e ela só via que, a qualquer momento, a loja poderia vir buscar a geladeira. E onde ela iria guardar a comida? Pensou em pedir ajuda a… quem?

Olhou para Felipe e, cortando bruscamente o discurso dele, perguntou:

    – Você quer anal?

Felipe ficou espantado com a firmeza de Sandy. Mas percebeu que, no olhar dela, havia uma ponta de tristeza.

    – Você quer?

Era como se Sandy estivesse vendendo o seu bem mais valioso. Mas Felipe pensou que, se alguém vende algo que lhe é precioso, é porque precisa de algum tipo de ajuda. Ele teve pena dela nesse momento. E, num gesto que a surpreendeu, segurou sua mão e perguntou se ela estava precisando de alguma coisa.

    – Eu quero saber o quanto você me paga, se eu der o meu cu? Não é o que você quer?

    – Não. Mas por que você está me oferecendo isso agora? Precisa de alguma coisa?

Sandy percebeu que havia quebrado o distanciamento essencial ao seu mister. Felipe parecia um amigo. Mas ela sabia que não era. Se falasse do que precisava, podia estar nas mãos dele. Não era uma situação confortável.

    – Eu quero fazer anal hoje. E quero que você seja o primeiro.

    – Será? E quanto isso vai me custar?

    – Duzentos.

    – Duzentos?

    – Duzentos.

    – Eu posso te dar isso. Mas não quero fazer…

    – Qualquer coisa. Eu faço qualquer coisa.

    – Qualquer coisa?

Sandy tremeu ao ouvir a pergunta de Felipe.

    – Qualquer coisa. Por duzentos reais.

    – Eu te dou até mais se…

    – Até mais? Ótimo. O que você quer?

Felipe se levantou e foi até a geladeira. Pegou uma garrafa de refrigerante.

    – Beba isso.

    – Obrigado, mas já estou cheia.

    – Beba isso, Sandy. Faz parte do que eu quero.

    – Mas eu já estou pra me mijar…

    – É isso. Eu quero isso.

Sandy se assustou. Ele queria ver? Só isso?

Respirou fundo. Era vergonhoso, pensou. Mas a geladeira…

Tomou o que Felipe ofereceu. Valia duzentos reais.

Passado algum tempo:

    – Quer urinar?

    – Sim.

A resposta lacônica de Sandy fez com que Felipe percebesse que aquilo não a agradava.

    – Vai ser só essa vez, tá?

    – Tudo bem.

Ela se levantou e chamou Felipe. E se dirigiu para o vaso.

    – É o que você quer ver?

    – Não. Aí não.

Felipe se deitou no chão.

    – Em cima de mim, Sandy…

Ela respirou fundo e decidiu. Ficou em pé sobre Felipe e fez força, mas algo parecia trancar a sua bexiga. Fechou os olhos, se concentrou: uma mijada e a geladeira estaria salva.

O jato de urina atingiu o peito de Felipe, que se levantou rápido, a tempo de receber um jato no rosto. Masturbando-se ferozmente, gozou.

A geladeira estava garantida.

Felipe parecia o homem mais feliz do mundo. O mais realizado.

Sandy pensou que não havia sido tão ruim assim…

Na hora da saída, Felipe estendeu três notas de cem:

    – Sempre quis fazer isso… Você é a primeira a me satisfazer totalmente…

No caminho de casa, Emília riu da situação. Então era isso que Felipe queria. Desde a primeira vez.

No outro dia, Emília pagou a dívida e, com o dinheiro que sobrou, comprou algumas roupinhas para Diego. Nos outros dias, recebeu outras ligações. Juntou mais algum dinheiro.

Uma semana depois, tocou o telefone. Do outro lado, a voz de Felipe:

    – Vamos nos encontrar?

    – Claro. Hoje ainda?

    – Daqui a pouco, se der.

    – Pra você, dá.

Ligou para Lucina. Ligou para Rondinelli. E começou a transformação: Sandy tinha o que fazer.

Antes de sair, Sandy olhou a geladeira. Abriu. Pegou uma garrafa de água gelada. Tomou dois copos de água.

Felipe poderia querer mais um banho…