Ligou para o número que estava nos classificados e ouviu uma voz jovial do outro lado da linha. Era Vanessa. Estava disponível. Deu o preço.

Jonas deu o endereço. Ela pediu quarenta minutos para se arrumar. E ele correu para arrumar a si e o quarto. Tomou um banho, penteou os cabelos, passou perfume, guardou as revistas espalhadas, trocou a cueca: olhava o relógio nervoso. Uma hora após a ligação, Vanessa tocou a campainha. Vinha acompanhada de uma amiga.

– Essa é Geórgia, minha colega de apartamento… Ela veio comigo por segurança! Você se incomoda?

– Não. Você está certa. Tudo bem!

Vanessa pediu para ir ao banheiro. Foi quando Jonas a olhou mais atentamente. Era jovem, era linda.

Geórgia ficou na sala. Para passar o tempo, Jonas deu a ela algumas revistas. E ela sorriu forçadamente. Sentada no sofá, parecia entediada. Não era feia, constatou Jonas.

Jonas voltou para o quarto e ficou escutando o som que vinha do banheiro. Vanessa estava se lavando, se preparando. De repente, Geórgia abre a porta do quarto:

– Posso usar o banheiro?

– Claro. Pode entrar.

Geórgia bateu à porta do banheiro. Vanessa abriu e Jonas pôde entrever a beleza dela. Elas não fecharam de todo a porta. Como um menino curioso, Jonas se aproximou e viu quando Geórgia baixou a bermuda e a calcinha e sentou no vaso. Entre uma risada e outra, o som do jato de urina. Depois a descarga. Geórgia saiu e agradeceu Jonas.

– Não há de quê. Fique à vontade. Quiser, tem refrigerante na geladeira. – falou aquilo e se arrependeu: Geórgia poderia não entender.

– Obrigada. O senhor é muito gentil. – Geórgia falou e se dirigiu à sala.

Jonas foi fechar a porta do quarto, mas desistiu. Deixou-a encostada.

Ao se virar, encarou Vanessa, que usava um maiô quase transparente. Era de fato uma linda garota. Era mais: era a mais bela garota de programa que já havia chamado. Era tão bela, que não merecia viver aquela vida, pensou por um segundo.

– Como é o seu nome? – Vanessa perguntou.

– Ricardo – mentiu Jonas.

– Seu Ricardo, eu só transo com camisinha… e não faço anal, tá certo?

– Tudo bem. Você está certa. Segurança nunca é demais…

Ela foi para a cama e se deitou, caprichando na pose sensual.

– Tira a roupa. Deixa eu ver esse pinto.

Envergonhado, Jonas tirou a roupa. Vanessa apalpou-lhe o pênis.

– Tá com vergonha de mim, Ricardo? Ou não gostou do material?

– Não é isso… é que você é linda demais!

– Obrigada! – ela sorriu verdadeiramente embevecida.

Jonas se deitou e ela subiu sobre o seu corpo. Beijou-lhe o pescoço e a boca, coisa que nenhuma outra garota de programa havia feito antes. E continuou manipulando o seu pênis, que começou a crescer.

– Olha! O Ricardinho tá ficando animado! E ele é bem maior do que eu pensava… Será que minha xaninha vai agüentar esse Ricardão?

– Ficou com medo?

– Fiquei foi com mais tesão…

Ritualisticamente, Vanessa pegou uma camisinha e colocou na boca. Depois, abocanhando o pênis de Jonas, instalou o preservativo. E começou a sugar.

Jonas virou os olhos em direção à porta. Esperava que Geórgia viesse bisbilhotar os dois. Em sua imaginação, via a amiga de Vanessa entrando no quarto, se despindo e se deitando ao lado dos dois.

– Me ajuda?

Vanessa queria que Jonas a despisse, o que ele fez sem pestanejar. Seios pequenos, mas firmes. Bunda anatomicamente perfeita. Era linda demais. Totalmente nua, ela ficou em pé sobre a cama:

– Gostou?

Ela estava bem depilada, o que amplificava o seu aspecto adolescente. Jonas não suportou e colocou a boca ali, e ela não o afastou, como faziam as outras.

Logo, os dois estavam cavalgando. E veio o gozo. Dele.

Deitados, os dois silenciaram. Jonas olhou no relógio que o tempo havia sido muito curto. Tinha sido rápida a transa.

– Você é muito linda, menina! Muito mesmo!

– Obrigada. Já estou ficando encabulada.

– A sua amiga…

– Ela também faz programa. Pensa que não reparei o seu olhar? Fiquei até com medo de você querer me trocar por ela…

– Eu chamei você.

– Se quiser… ela cobra cem… como eu.

– Estou desprevenido agora. Mas pode ser que, na próxima…

– Ela é gostosa, Ricardo! Você vai gostar…

– E se eu quiser as duas?

– Você dá conta?

– Posso tentar, né?

– Vou esperar teu telefonema então… Tira aí…

– O quê?

– A camisinha.

Jonas tirou a camisinha. Vanessa o pegou e levou para o banheiro. Antes foi até a porta e chamou por Geórgia. Esta pediu licença e entrou no quarto. Jonas pensou em se cobrir, mas, sabendo quem era Geórgia, permaneceu nu sobre a cama.

As duas se trancaram no banheiro. Risos e o som da água do chuveiro.

Jonas se sentia leve. Mas não feliz. Alguma coisa lhe doía nos meandros da alma. Vanessa era tão linda. E ele desejava tanto Geórgia…

A porta do banheiro foi aberta. Geórgia saiu e, dessa vez, Jonas se cobriu.

– O senhor pode arrumar vinte reais para o táxi?

– Claro. É tarde.

– Sabe que o senhor é um dos clientes mais gentis que a Vanessa já teve? Ela me disse isso.

– Obrigado. Ela é uma boa moça e você também.

– Tem uns caras que, só porque pagam, acham que podem tudo… é por isso que eu lhe falei isso.

– Eu sei.

Algum silêncio, quase constrangido.

– Eu tomei uma lata de cerveja. Tudo bem?

– Não. Eu disse para você ficar à vontade, não foi?

Vanessa saiu do banheiro. Banho tomado, cheirosa. Jonas pegou a carteira, puxou uma nota de cem e outra de vinte e as entregou a Vanessa. Ela sorriu, o riso forçado, e disse:

– Se precisar…

– Eu ligo. Com toda a certeza.

– Posso levar uma latinha de cerveja? – perguntou Geórgia.

– Claro… como é o seu nome mesmo?

– Regiane.

– Pode pegar, Regiane.

Geórgia foi até a cozinha e pegou a lata de cerveja. Vanessa, em silêncio.

As duas foram até a rua e, logo, chegou um táxi. Era uma e vinte da madrugada, Jonas viu no relógio.

Jonas entrou no quarto, se despiu e foi ao banheiro. Tomou um banho caprichado, como se quisesse lavar uma sujeira intensa e absoluta. Foi se deitar e o sono veio logo.

No táxi, as duas em silêncio, lado a lado.

– Por que você disse o teu nome verdadeiro?

– Ele me pareceu de confiança. Foi muito gentil…

– Não é muito bom na cama, gozou logo. Mas parece mesmo ser um cara legal…

– Diz pra mim, Glauciane: será que ele vai me chamar?

– Ele pareceu interessado…

– Que bom! Estou precisando trocar a lente de meus óculos…

Era uma e quarenta e três da madrugada, quando as duas entraram no quarto do cortiço onde moravam.


(Master 69)