Madalena me viu entrando na sala. E seus olhos verdes pareciam procurar os meus. Tremi nas bases: Madalena era uma esfinge. Não a olhei para não paralisar. Sorri para os outros. Sentei. Os outros me saudaram. Olhei-os com um certo carinho, menos para Madalena. Era a minha quinta reunião. E hoje era dia de Madalena falar.

E ela falou de seus dias de loucura. Não escondeu os detalhes, pois os outros, eu inclusive, tinham histórias mais escabrosas que a dela. Sua falta de controle a colocara em situações de risco: uma vez se deixou violentar por três; depois, participou de um ménage a trois; bissexual, participou de muitas aventuras. Madalena não escondeu nada. Os outros, perplexos, viam aquele belo rosto entristecer a cada detalhe mais sujo de suas desventuras sexuais. Coprofilia? Todos ficaram chocados. Como podia uma moça tão bela ter feito coisas tão sujas?

A reunião terminou e todos se solidarizaram com Madalena, vítima de uma compulsão violenta por sexo em suas mais variadas formas. Saímos. No corredor, Madalena me chamou.

Entramos em um dos escritórios abandonados daquele edifício. Ela me sugou ferozmente. Eu a penetrei fundo. Uma hora e vinte e três minutos. Gozamos. Meu jorro lavou a sua face e aqueles olhos de esfinge pareciam satisfeitos. Absolutamente satisfeitos.

Saímos.

Ela pegou o seu carro. E sumiu. Fui para a parada de ônibus.

Quinta-feira que vem, às sete da noite, outra reunião. Prefiro me curar dessa absurda compulsão por sexo.