Não era bem assim que se dançava, mas é bem parecido...

Não era bem assim que se dançava, mas é bem parecido...

Você sabe o que é um mela-cueca? Em meus tempos de juventude, era aquele tipo de música feita para “dançar coladinho”. As festas começavam sempre com músicas agitadas. A pista começava a ferver aos poucos. Quando o clima estava armado, com todos dançando, o disc-jóquei colocava uma balada e pronto! O desespero: os rapazes procuravam as garotas. Quem tinha namorada estava garantido. Quem não tinha… ou ficava no canto bebericando cerveja ou vinho, ou dava uma de bonzão e partia para cima das mais bonitinhas (se bem que as bonitinhas quase sempre tinham namorado), ou ficava com a amiga da prima da namorada do cunhado do melhor amigo. E os casais que sentiam calor iam tomar um vento do lado de fora. E se a pista começava a esvaziar, o disc-jóquei emendava uma fileira de sons chacoalhantes para requentar a festa.

Muitos mela-cuecas resistem nas rádios saudosistas do Brasil. Há, com certeza, centenas de músicas que todos conhecem, mas não sabem quem canta ou como se chama. A melodia bate no ouvido e a memória é preenchida por momentos românticos do passado. A seguir uma lista de 50 hits do passado, para quem quiser se inteirar na arte do mela-cueca, ou produzir uma festa saudosista. Comente a lista! E acrescente aqueles mela-cuecas que você guarda no coração.

How deep is your love (Bee Gees): Os irmãos Gibb eram uma fábrica de hits e essa balada, tema do filme “Os embalos de sábado à noite”, consegue ser bela e perene, apesar de ter a cara dos tempos da disco music;

If you leave me now (Chicago): Outra fábrica de hits, o Chicago trazia para a música pop arranjos maravilhosos e a voz de Pete Cetera. Clássico da dor de cotovelo: “se você me deixar, você levará a parte mais importante de mim. Meu bem, por favor, não se vá!”

Sailing (Christopher Cross): a introdução na guitarra era a senha para a rapaziada correr atrás das garotas. A música não fala necessariamente de amor. Na verdade, trata dos efeitos benéficos da navegação para o espírito. Mas ninguém ia dançar por causa da letra da música, não é mesmo?

Time after time (Cindy Lauper): O clip dessa música passava direto na televisão. Mais dor de cotovelo. Mais casais na pista.

Lover why (Century): Parece heavy metal. Mas embalou muitos romances. A banda Century é um daqueles “one-hit-wonders”: fez um sucesso estrondoso e sumiu! A música, porém, está sempre nas FMs da vida…

Still loving you (Scorpions): Sucesso absurdo na época do primeiro Rock in Rio, as rádios não paravam de tocar. É a prova cabal de que os metaleiros também amam. Não dava para dançar, principalmente na parte final em que a guitarra toma conta. Mas marcou uma geração de apaixonados…

Over you (Lane Brody): “Any fool can see that love is blind/And here I am to prove it one more time…” Mais dor de cotovelo! Sucesso eterno! Clássico do country, tema do filme “Tender Mercies”.

If you not here (Menudo): Houve um tempo de horror e suplício, quando o Brasil foi invadido pela menudomania. Milhares de meninas ficaram histéricas com a presença de uns bambis, que rebolavam e cantavam musiquinhas tétricas. Mas a baladinha citada, um de seus maiores sucessos, é até tolerável…

Betcha by golly wow (The Stylistics): Milhares de crianças no mundo foram geradas ao som desse grupo, trilha sonora de tudo quanto é motel no mundo. Em qualquer festa, em qualquer lugar do mundo, corações tremem ao escutarem os trinados desses veteranos…

10º You needed me (Anne Murray): Mais dor de cotovelo. O maior sucesso de Anne Murray, cantora canadense.

11º I should have known better (Jim Diamond): O “melô dos bombeiros” é a cara de uma época. Jim Diamond, cantor escocês, é outro que sumiu nas estradas do mundo…

12º Lost without your love (Bread): O último hit do Bread, outra fábrica de mela-cuecas!

13º I never cry (Alice Cooper): Vincent Furnier deixou um pouco o circo de lado e cometeu essa bela canção.

14º Classic (Adrian Gurvitz): O cara é um dos precursores do heavy metal (com a banda The Gun), tocou com Ginger Baker (no Baker Gurvitz Army) e escreveu uma canção sobre a necessidade de escrever um clássico. E escreveu…

15º Do that to me one more time (Captain & Tennille): Dupla de imenso sucesso, gravou essa canção sutil como uma jamanta na lama: “Faça aquilo comigo uma vez mais; uma só nunca é o bastante com um homem como você…”. Aquilo o quê?

(continua…)