Vivemos a era do barulho em Porto Velho.

Todo dono de loja coloca um amplificador na porta e anuncia as ofertas da semana.

Toda igrejola evangélica coloca o som no talo para o bairro inteiro escutar a sua versão da palavra de Deus.

Tudo quanto é boteco tem uma baita aparelhagem para tocar bem alto o último sucesso da Banda Calipso ou do Brunemarrone.

Até o Zé abre o carro e bota o som para que todos apreciem o seu bom gosto musical.

É barulho demais. É mau gosto demais. É muita falta de bom senso.

Ninguém respeita o ouvido de ninguém. Fuja para as colinas, se quiseres um pouco de paz e silêncio.

Até para dar uma volta de barco no Rio Madeira, o sujeito tem de suportar o barulho de aparelhos de DVDs ligados a amplificadores. Na margem, os bares estão cheios de som e fúria. Ao entrar no barco, o cidadão se depara com um televisor de 29 polegadas, ligado a um amplificador, mostrando um show de algum grupo nordestino cantando hinos à esbórnia e ao sexo sem graça. É uma hora de belas paisagens e música de bordel.

Por quê? Para quê?

Parece que ninguém quer mais saber das virtudes do silêncio…